Por que devemos ensinar as crianças a programar?

Coluna Escrita para o caderno DM em Sala de Aula!

Olá! Na coluna de outubro escrevi um pouco sobre como a concepção de informática educativa enquanto instrumento interdisciplinar tem - no decorrer de 30 anos no Brasil - dado sinais claros de enfraquecimento e, principalmente, a sua contribuição tímida na melhoria da educação! Nesta coluna do DM na Sala de Aula, quero dar continuidade à temática da Programação de Computadores na educação. Para tanto argumentarei acerca da pertinência da programação e dos motivos pelos quais devemos ensiná-la em nossas escolas. Neste sentido, apresento um arrazoado de argumentações apresentadas por um grande grupo de pesquisadores que se ocupam da compreensão do potencial da programação de computadores no desenvolvimento cognitivo de crianças!
Motivo 1: A programação desenvolve nas crianças uma cultura de produção de tecnologia e não somente de consumo. O desenvolvimento de uma postura de protagonismo na criação de soluções para problemas que vão, desde movimentar um gatinho na tela- no caso do Scratch - até programar um braço robótico para levar uma bolinha de isopor do ponto A ao ponto B!
Motivo 2: A programação cria um espaço aberto para que as crianças expressem livremente suas ideias e de forma multimídia e testem suas hipóteses de melhor solução para o que querem. Portanto, é possível apontar que a programação de computadores desenvolve a criatividade nas crianças.
Motivo 3: Uma das grandes questões da educação é nossa inabilidade em tratar o erro. Não raramente ele é visto como um atestado de incompetência quando, na verdade, é uma oportunidade rica de aprendizagem! Assim, aterrorizados pelo erro e sua característica tinta vermelha, desenvolvemos em nosso estudantes a falsa sensação de que não devemos experimentar, tentar novas soluções, sair da “trilha de ouro” do livro didático, das lâminas do professor ou do que foi escrito no quadro. Tudo para que não tenhamos que nos deparar com o erro! Ter medo de errar mata gradativamente qualquer centelha de criatividade! Na programação, o erro acontece, é detectado em tempo real e pode ser tratado imediatamente pela criança com a ajuda dos colegas. Aprender a trabalhar com o erro é uma das grandes contribuições da programação de computadores!
Motivo 4: Programar computadores auxilia no desenvolvimento de Competências de manipulação e seleção de informação, fundamental em um mundo onde a internet nos dá acesso a uma quantidade de informação inimaginável a 10 anos atrás. Aprendendo a selecionar, criar e gerir múltiplas formas de mídia, incluindo texto, imagens, animação e áudio, as crianças se tornam mais perspicazes e críticas na análise dos recursos disponíveis!
Motivo 5: Programar  nos ajuda a desenvolver Competências de comunicação! Uma comunicação eficaz requer mais do que a capacidade de ler e escrever textos. Nessa perspectiva, programar computadores envolve as crianças na escolha, manipulação e integração de uma grande variedade de mídias para se expressarem, individualmente, de forma criativa e persuasiva.
Motivo 6: Programar  computadores auxilia no desenvolvimento do raciocínio crítico e pensamento sistêmico. Para construir seus projetos, as crianças necessitam coordenar o tempo e a interação entre múltiplos objetos móveis programáveis. Para programar é preciso definir de antemão os passos necessários, todos os procedimentos e sua ordem a fim de que se possa resolver o problema apresentado.
Motivo 7: A programação apoia a formulação de hipóteses de resolução de problemas. Criar um programa requer que a criança, considerando um problema, divida-o em partes menores, defina passos para solucioná-lo, formule hipóteses de resolução e teste-as.
Motivo 8: Programar aprimora competências interpessoais e de colaboração. Por serem - geralmente - construídos com blocos gráficos, o código de programação é mais compreensível e compartilhável facilitando a colaboração entre as crianças e potencializado a partilha de blocos de código.
Motivo 9: A Disciplina e a iniciativa são duas competências desenvolvidas no ato de programar. Ter uma ideia e descobrir como transformá-la em um programa de computador requer persistência e prática. Quando os jovens trabalham em projetos baseados em ideias que consideram pessoalmente importantes e significativas, estas geram motivação para ultrapassar os desafios e as frustrações encontradas no processo de concepção e de resolução de problemas.
Motivo 10: A programação de uma solução para um problema real requer que se tenha em mente a real demanda das pessoas para as quais a criança está desenvolvendo o programa e o modo como responderão ao programa feito. Geralmente, tal processo ocasiona a alterações no programa original. Esta dinâmica auxilia no desenvolvimento de competências de empatia e plasticidade mental.


Bem, nas próximas colunas pretendo refletir com mais atenção e detalhe sobre cada um dos motivos apresentados acima! Por agora, deixo uma frase de Douglas Rushkoff, um dos entusiastas da programação de computadores por crianças:

“Programe, ou será programado! Escolha a primeira opção e ganhe acesso ao painel de controle da civilização. Escolha a última, e poderá ser sua última escolha real.”

Douglas Rushkoff

Comentários

  1. Danúbia Rossato23 de maio de 2017 22:36

    Incrível se deparar com essa argumentação sobre a ideia de ensinar a programação nas escolas, entendo como um exemplo fantástico de adaptação do processo de educação, que insiste em evoluir de forma tão lenta, isso tudo vai ao encontro das colocações feitas por Silvio Meira, no vídeo de TEDxSaoPaulo, aonde ele aponta que dentro de um contexto de abundância de informações e conhecimentos, muda-se integralmente qual era o lema de educar, considerando que se no passado tínhamos que decorar coisas, agora temos que aprender processos, métodos, estruturas, no nível meta, acima do conteúdo para que possamos elaborar, capturar e gerar novo conhecimento, realizando processos de cooperação com os sistemas, com as pessoas, com as redes ao nosso redor, o que representa um número de oportunidades de educação fantástico e gigantesco, ou seja, a proposta de ensinar a programação para as crianças nas escolas é a “materialização” desses conceitos apresentados.

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