Bem-vindos a The Communication (R)Evolution

Uma das questões que reiteradamente nos inquieta diz respeito à nossa dificuldade em prever o futuro. E, é claro, na mesma proporção que inquieta, nos incomoda, uma vez que antecipar o que está por vir pode ser muito interessante, não? O que o mundo de 10 anos à frente nos reserva? Na verdade, na dinâmica do mundo em que vivemos, querer prever os próximos 10 anos é pura ingenuidade. Ao menos sem a ajuda de um estudo mais amplo e aprofundado baseado na escuta de pessoas que tem como atividade rotineira trabalhar com o futuro.
O estudo “The Communication (R)Evolution, divulga uma relação de premissas que apontam para o futuro das inovação em curso na sociedade. As premissas foram organizadas por uma equipe de pesquisadores que, durante 10 meses, realizaram mais de 300 horas de entrevista no Brasil e nos Estados Unidos.  Foram entrevistados desde aficcionados pelo mundo tecnológico contemporâneo, até críticos severos dos rumos que nosso planeta tem tomado nas mais diferentes áreas em função da presença da tecnologia. O resultado do trabalho é destinado a todos que se interessam pela influência da tecnologia em suas vidas e nas mais diversos setores da ação humana como, comunicação, cultura, educação, política e a educação! Em seguida faço a apresentação de cada uma delas, mas faço a seguinte provocação: Ao lê-las tenha em mente a seguinte questão: Em que medida esta premissa é considerada nos contextos educacionais formais? Vamos a elas:
#BeTrue - Seja Verdadeiro. Ser verdadeiro não é opção no mundo contemporâneo por motivos que vão desde a sensibilidade desenvolvida pelas pessoas para detectar mentiras e/ou verdades parciais, até a impossibilidade de manter qualquer informação escondida. E tudo isto passa pela tecnologia! Vamos começar pela sensibilidade em detectar enrolação desenvolvida por um grupo de indivíduos - especialmente os nascidos depois de 2000 que, desde a mais tenra idade são alvo de marketing e simplesmente não toleram enrolação e não são obrigados a ficar amarrados a ela. Se algo não interessa ou não convence, em uma postura menos ativa, é deixado de lado imediatamente. Entretanto, o mundo contemporâneo abre espaço para um posicionamento que vai além do “deixar de lado” mencionado a pouco, abrindo a possibilidade para que as pessoas se manifestem. Neste mundo conectado, as desigualdades são menos defensáveis uma vez que, quando alguém pode segurar um telefone celular, capturar alguém ao realizar um ato, um comportamento, enviá-lo a internet, transmiti-lo para o mundo, o jogo de mascarar a realidade acaba.
#BeTrusted - Seja confiável. Na verdade, poderíamos adaptá-la, inicialmente, para a seguinte questão: Em quem podemos confiar neste mundo inundado de informações? Penso que esta pergunta seja recorrente entre os indivíduos e instituições. Nunca tivemos tantas informações disponíveis. Nunca tivemos tanta liberdade para gerar informação sobre todo e qualquer assunto. Mas como separar o joio do trigo? Como identificar qual informação é correta e qual não é?  Pois bem, não sei muito sobre outras áreas, mas na educação - que é a minha área de atuação - uma informação originária da internet já sai perdendo, equívoco sobre o qual, no entanto, não me dedicarei a refletir neste texto!
Desta forma, em um mundo em que todos podem gerar conteúdo, os curadores têm papel fundamental. Curadores podem ser pessoas, grupos ou instituições - pode ser você! - que, dentro de suas áreas de atuação, nos ajudam a filtrar esse tsunami de informações de maneira criteriosa e confiável. Estamos em um momento em que os curadores centralizados ganham importância em função da democratização da autoria na WEB. No mundo de hoje, um grande comunicador do passado, um professor ou o profissional de uma área específica compete diretamente com uma criança da Tailândia, por exemplo, cujo vídeo que criou usando seu smartphone se tornou viral!
#BePart - Faça parte. O texto motivador da premissa diz que a cultura da participação rejeita fortalezas, muros altos e intransponíveis. O encastelamento é inaceitável: construa aberturas nos lugares onde ainda há muralha, participe, compartilhe, aproxime-se, humanize-se. Você tem todos os meios e os melhores motivos para fazer parte. Logue-se logo e descubra as várias oportunidades que o mundo multidimensional oferece. Como todas as premissas, esta está baseada no nível de conexão entre pessoas proporcionado pela internet.
No mundo da participação, a coletividade nunca teve tanta força. As tecnologias possibilitam um pensar coletivo, que mescla o local e o global, permitem que as pessoas permaneçam conectadas, fazendo parte de um grupo unido pela tecnologia, independente de onde se esteja fisicamente. A ideia de que na Internet todo mundo seria solitário não se consolidou, pois as pessoas a utilizam para conversar com pessoas que estão geograficamente distantes.
#ThinkMobile - O mundo está em nuvem. Esta premissa parte do fato de que nossos computadores, que nos dão acesso ao mundo, não estão mais aprisionados a uma mesa, passaram a ser portáteis, miniturizados e conectados permanentemente. Vivemos em um tempo em que o celular é a primeira tecnologia que acessamos quando acordamos, e a última que utilizamos antes de dormir. Estamos sempre ligados e conectados.
Tal situação de conexão e mobilidade altera totalmente nossa percepção de tempo e espaço, uma vez que nos permite estar em qualquer lugar do mundo sem sair do ponto em que estamos. Nos permite, ainda, acesso permanente ao que os outros estão fazendo, conectando-nos de forma sutil e possibilitando que tenhamos uma consciência ampliada de que, de fato, fazemos parte de uma rede e que, quanto maior o número de conectados, mais densa se torna esta rede de conexões.
#BEBETA - Liberte sua mente. A cultura do beta é aquela que assume suas possibilidades de erro e reconhece neles uma oportunidade de aprendizagem absolutamente precioso. No mundo contemporâneo, errar é tão importante quanto acertar. Ou seja, é preciso que o erro seja valorizado a fim de que se possa aprender com o processo e não com o resultado que, quase invariavelmente mostra somente a versão do produto, do processo ou do serviço que deu certo. Para ser didático, o acerto é uma fotografia e o erro é um filme!
O mundo da conexão, do processamento e da velocidade de transmissão de dados coloca em cheque aquilo que até então era sólido. Conhecimentos tidos como incontestáveis, instituições historicamente construídas - como a Escola e a Universidade - tem suas bases abaladas pela incapacidade de prever o futuro da sociedade e pela consequente dificuldade de formar sujeitos para esta realidade. Neste contexto, assumir o desafio de estar em estado Beta abre espaço para que possamos resgatar nossa capacidade de criar.
Pense para frente! #THINKAHEAD. Esta premissa nos desafia a abandonar as zonas de conforto e as certezas reducionistas do passado e das instituições. Nos impele a ir em frente e nos ajuda a compreender que a inovação envolve coragem, experimentação, aprendizado e risco. No nível individual e por conta das tecnologias digitais que literalmente nos conectam ao mundo, processam imensas quantidades de dados e nos dão o poder de representar informações em diferentes mídias, ficou muito mais fácil pensar fora dos padrões tradicionais baseados na ideia de que "sempre foi assim". É possível experimentar novas ideias, gerar conteúdo, criar soluções para problemas reais e não necessariamente importantes. Pensar fora da caixa nos dá liberdade para experimentar sem medo de errar. Lembremos que o medo do erro nos impele para o caminho oposto ao da criatividade e da inovação.
Depois de refletir acerca deste princípio, fiquei genuinamente confuso! Nosso sistema educacional é baseado na construção de competências para olharmos para o futuro e para o desconhecido ou é eminentemente voltado para o passado? Ok, eu tenho a resposta, mas não posso tirar de você a oportunidade de pensar sobre isto! ;-)
Pense elevado! #THINKHIGHER. Esta premissa me agrada bastante uma vez que chama a elevar nossa concepção de existência, qualificando-a como espaço de ser superior, conectado às demandas do mundo e comprometido à atendê-las dentro de nossas áreas e possibilidades. Pois bem, em um mundo conectado pelas tecnologias, onde ações de um lado do planeta tem reflexos sobre os indivíduos independentemente de onde estejam, é possível que nos comprometamos a atuar fortemente em torno de uma causa, qualquer que seja. O contexto tecnológico em que vivemos abre reais possibilidades para que esta ajuda ao outro seja possível do ponto de vista do indivíduo. Amplia sobremaneira o alcance da ação humana.
Só existe uma forma de mudar o mundo: #Be collaborative. Colaborar é vital para o mundo contemporâneo pois o grupo sempre é mais capaz do que o indivíduo e, como sabemos, as diferenças e as capacidades de cada um, somadas, são poderosas. As tecnologias contemporâneas são essencialmente colaborativas uma vez que colocam lado a lado pessoas que estão localizadas em qualquer lugar do mundo.
#beintuitive! Desenvolva sua intuição! Intuir significa olhar com atenção, ver com todos os sentidos. A sabedoria resulta deste olhar atento e observador. A intuição revela, antecipa, prediz, subverte e busca as respostas onde elas geralmente estão: no espaço invisível que conecta um acontecimento ao outro. Liberte-se das amarras do pensamento cartesiano. Demostre com a lógica, descubra com a intuição. A intuição pode ser considerada também como a capacidade que temos de, inconscientemente, processarmos informações importantes que nos levam a ter a sensação de que uma determinada atitude deve ser tomada sem saber bem ao certo o motivo. Pois bem, o  avanço da tecnologia e sua capacidade de processar uma massa de informações enorme advinda de sensores, dados que disponibilizamos na internet, câmeras de vigilância e, em breve, de dispositivos implantados em nossa epiderme a habilita a  "tomar decisões" baseadas naquilo que chamamos de intuição, mas que consiste em basicamente num processo de cruzamento inconsciente de informações do mundo que nos rodeia. Lembre-se, as informações estão cada vez mais disponíveis…
#Be useful: Seja útil! Se não for, ao menos não atrapalhe. Um dos elementos importantes e que merece destaque é que passamos de um mundo em que pensamos em qual a utilidade que as coisas tem para mim, para um contexto em que devemos pensar na utilidade que nós temos para o mundo! De que forma nossas diferentes habilidades, competências e interesses podem servir à criação de condições dignas de vida no planeta. Utilidade esta potencializada por conta das redes digitais de computadores que ampliam nossas possibilidades de ação sobre o mundo.
A cultura digital, tema desta coluna, possui inúmeras iniciativas que vão ao encontro desta busca por ser útil. O Creative Commons, por exemplo, é uma licença de direitos autorais que facilita a criação de conteúdos colaborativos. Um exemplo claro do seu poder é a wikipedia a maior enciclopédia do mundo. Livre e construída colaborativamente. Esta vontade de ser útil é expressada pela participação voluntária e anônima de milhares de pessoas ao redor do planeta e faz da wikipedia uma enciclopédia colaborativa com mais de 30 milhões de verbetes em mais de 270 idiomas. Enfim, o mundo digital nos dá inúmeras possibilidade de sermos úteis ao mundo! Basta que nos demos conta disto.

E aí? Vamos dialogar?

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