#ThinkPlural - Pense plural

Coluna Cultura Digital na Revista Somando -  maio 2015

#ThinkPlural - Pense plural
http://thecommunicationrevolution.com.br/


Adriano Canabarro Teixeira
Doutor em Informática Aplicada em Educação, pós-doutor em Educação, professor e pesquisador do Curso de Ciência da Computação e dos cursos de Mestrado e Doutorado em Educação da UPF.
Contato: teixeira@upf.br


Para quem não tem acompanhado minhas colunas sobre Cultura Digital em 2015, quero relatar que em janeiro deste ano apresentei minha intenção de escrever mensalmente sobre cada uma das 11 premissas constituintes do documentário The Revolution Communication, feito em 2014, que aponta para o futuro das inovações na sociedade contemporânea. (*)
Nos meses seguintes, escrevi sobre a importância de ser verdadeiro em um mundo transparente - #BeTrue; sobre a necessidade de que sejamos confiáveis, assumindo uma postura de curadoria em um mundo inundado de informações - #BeTrusted; e sobre a possibilidade de fazer parte, de fato, dos acontecimentos de um mundo dinâmico e conectado - #BePart. Em todas estas premissas, fica claro o papel desempenhado pela Internet. Todas tratam de demandas interpostas àqueles que desejam assumir seu espaço no mundo de hoje.
Pois bem, a premissa deste mês traz um argumento muito mais forte e desafiador. Ela trata da necessidade de transformarmos a forma como pensamos e como construímos nossa trajetória profissional até então: #ThinkPlural. Uma vez mais a rede mundial de computadores tem papel determinante neste contexto.
É indiscutível que houve uma abertura no mundo e que hoje convivemos lado a lado com diferentes pessoas e culturas. Isso, antes de se constituir em uma ameaça, é uma oportunidade poderosa de alargamento de nosso universo de conhecimento. Existe muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, o que não é novidade, mas agora nós podemos ter consciência desses acontecimentos por múltiplos pontos de vista e não somente pelos meios de comunicação de massa, por exemplo. Tal situação de potencial acesso a uma multiplicidade de pontos de vista demanda, de nossa parte, uma capacidade de repensar o estatuto de verdade absoluta que muitas vezes atribuímos a determinadas fontes de informação, seja ela uma pessoa, um órgão de imprensa ou uma instituição de ensino. A internet é uma aldeia global. Quanto mais pessoas estiverem conectadas e emitindo opinião, mais plural será nossa forma de pensar.
Neste contexto, os analfabetos do século 21 serão aqueles que não sabem desaprender para aprender. Ou seja, estar em contato com o plural significa ter disposição em desaprender aquilo que até então era verdade absoluta em nossas vidas. Para tanto, é preciso que sejamos mais fluidos, mais flexíveis e, portanto, preparados para a inesperado. Esta pluralidade tem reflexos no mundo do trabalho. A estabilidade no emprego, que até pouco tempo era o conceito de sucesso profissional, perde força gradativamente! No mundo de hoje, ter sucesso é fazer o que gosta e, claro, ganhar para isso. Para tanto, a formação não pode ser mais linear e previamente definida. Ela deve ser plural e não necessariamente formal. É importante reconhecer que, no mundo contemporâneo, é possível compor a própria especialização. É preciso quebrar a lógica linear que aponta para uma carreira específica e passar para uma formação que pressupõe experiências diversas que tornam cada pessoa diferente. Ou, ao menos, uma formação que nos prepare, de fato, para um mundo multifacetado e de grandes mudanças.
Tal processo é fundamental pois, uma vez que temos uma saturação de profissionais formados no modelo tradicional, o que se abre é uma perspectiva - e uma demanda - por profissionais com formações plurais e inusitadas. Neste ponto é inevitável questionar: nossas instituições de ensino já se deram conta disto?
Pense conceitos abertos, flexíveis, múltiplos. Rejeite verdades absolutas. A verdade é multifacetada e permite variadas interpretações e narrativas. #ThinkPlural!



(*) Leia na íntegra em http://goo.gl/mbYCeX 





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